APRESENTAÇÃO

O Terreiro de Angola Ilê Un Zambi (casa de Deus) localizado no município de Caraguatatuba, no litoral norte paulista se constitui como espaço de preservação da memória dos negros na região. Instalado desde os anos 80 numa área rural na divisa dos municípios de São Sebastião e Caraguatatuba resiste ao processo de urbanização desordenada vivenciado no local nos últimos anos. O Terreiro já faz parte da memória local e se insere na localidade como pólo de preservação cultural na medida em que o Candomblé tem sido vitima de perseguições e tensões por parte de setores da sociedade. O terreiro Ile Un Zambi (em Kikongo Yle N'Zambi) tem suas raizes na Bahia no tempo da escravidão com Mameto Kissanje iniciadora de Mameto Manadeui - a velha Nanã - da cidade de Aracaju que por sua vez é iniciadora de Mameto Manaunde, recentemente falecida em São Paulo com 101 anos e que foi iniciadora de Oiá Ice sendo esta ultima iniciadora de Tata Kajalacy, fundador do Terreiro Ilê Un Zambi.

Além disso, é possível afirmar que o terreiro Ilê Un Zambi preserva a memória dos povos bantos no litoral norte. Os rituais e as cantigas se remetem à tradição dos povos do antigo reino do Kongo. A base da língua do Terreiro é kikongo, mas se verifica nas cantigas alterações lingüísticas devido ao processo de encontros étnicos e lingüísticos no Brasil e à própria mudança da dinâmica das línguas africanas. Muitas palavras já não são conhecidas em Angola entre os Bakongos (grupo étnico que fala kikongo).
Tata Kajalacy (pai Ataualpa) desenvolve atividades voltadas à difusão das religiões afro-brasileiras sobretudo a de raiz banto e ao reconhecimento do Candomblé e Umbanda como religião no litoral norte paulista.

AÇÕES

1. Lançamento do CD:
CANGIRAS DE ANGOLA - ILÊ UN ZAMBI
• Bambogira - Aruvaiá - Pemba;
Para preservação da memória dos ritos afro-brasileiros de matriz congo-angolano. As cantigas fazem parte da tradição oral e apresenta uma relação com o sagrado;
A primeira parte do CD, com 22 canções, está voltada às cantigas para os nkisi (inkices) Pambu NJila (Bombomgira/ Pombogira), Aluvaiá (Aruvaiá) e para Pemba.

Pambu NJila: nkisi/energia que representa a perpetuação da humanidade; Esta energia transita entre o sagrado e o profano, ou seja, entre o mundo material (dos homens) e energético.

Aluvaiá: nkisi/energia que representa as necessidades materiais socialmente criadas;
Essas energias são cultuadas no Candomblé de Angola pois fazem parte do universo.


Amostra das canções
: Canção 02  /  Canção 22
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2. Divulgação da religião afro-brasileira a partir de cursos, demonstrações de danças e ritos para educadores e para comunidade;

3. Ato público de protestos contra exclusão das religiões afro-brasileiras;

4. Participação no Documentário “Cultura banto: permanências e mutações”;

Tel. / FAX: 55 12 3887.4752 • e.mail: acubalin@acubalin.org.br
End.: Trav. Dois da Av. Do Perequemirim, 223 • Caraguatatuba/SP